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domingo, 8 de dezembro de 2013

Thomaz Torres em mais um voo

E em silêncio, nunca gritou tão alto. O barulho rachou todos os vidros da casa e estremeceu o piso. Quanta dor podemos guardar no silêncio? Ela estava prestes a transbordar. Quanta amargura refletia em seus olhos acinzentados. Ela tinha medo de sair de seu quarto. Tinha medo de caminhar e tropeçar nas próprias pernas. Ela passou a desconfiar até das estrelas. Eram as únicas que sabiam de seus segredos mais íntimos. Seu maior desejo era enxergar a luz do sol. Do quadrinho minúsculo da janela de seu quarto, ela só conseguia enxergar a parede do prédio ao lado. Sua vontade era de entrar em um armário e teletransportar-se para bem longe. Um lugar onde estivesse livre dos flagelos que as pessoas lhe causavam. Mas ela não podia. E estava só. Ao anoitecer, ela sentava na cama e deleitava-se em prantos através da escrita. O papel e a caneta eram seus únicos amigos. Ela era uma poetisa de gaveta e asas cortadas. E o medo a impedia de voar.
 
Thomaz Torres

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